28 de nov de 2018

[Literatura] Uma Ideia para um livro, escrito por uma mulher


Fiquei imaginando o que uma autora de livros pouco conhecidos, uma mulher num universo exclusivamente masculino, que é o universo dos livros, o que essa mulher poderia escrever que causasse impacto lucrativo?
Hoje eu saí, queria me presentear com algo, livros e uma série do Planeta dos Macacos (série mesmo, não uma série de filmes), e aí eu me dei conta de que são apenas homens. Todos os livros que eu gosto foram escritos por homens. Quase todos os livros famosos, os mais importantes da história, são todos escritos por homens!
Eu, tempos atrás, dei um livro para minha irmã chamado VALSA BRASILEIRA, sobre o Brasil, a questão econômica, escrito por uma mulher, intelectual, chamada Laura Carvalho. A ideia é ótima, a orelha do livro é de Fernando Haddad, e o livro é vermelho. A autora estava ligada a Guilherme Boulos, é professora na USP, e é uma mulher! Num universo de economistas e cientistas sociais (e de humanas) famosos como Caio Prado Junior, Celso Furtado, Victor Nunes Leal, José Murilo de Carvalho, Boris Fausto, ter uma mulher entre eles é incrível. Raro. Incomum. 
Estava querendo escrever este texto para uma amiga, que é escritora, e tenta se promover pelas redes sociais, e escreve sobre o amor, o amor desavergonhado, imagino, o amor numa época pós-filmes como Crepúsculo e Cinquenta Tons de Cinza. Filmes que retratam o amor como uma superação de fetiches, ou um fetiche.
Estava pensando no que dá dinheiro, no Brasil, onde atualmente livrarias famosas como Saraiva e Cultura estão quase falidas (uma pediu recuperação judicial), porque os editores não recebem, os livros não vendem, e a educação está cada vez pior nas avaliações. Embora que a região que mais esteja bem avaliada, em termos de educação, seja Sobral, onde os professores ganham 5 mil, é sertão, é nordeste, e ninguém fala disso, e um dos responsáveis por esta educação, o professor Mozart Ramos, foi boicotado do Ministério da Educação, porque seria ele de esquerda, para a Bancada Evangélica e um "intelectual" famoso por ofender os outros.
Estava imaginando um livro do tipo: MEU PRESIDENTE MALVADÃO, ou algo assim como MEU PRESIDENTE É MALVADO E É UM MITO. Algo deste tipo, né?
Eu gosto (ou gostava) de Bukowski, acho que pelo início da carreira dele, com CARTAS NA MESA, e depois no fim da carreira, com O CAPITÃO SAIU DO NAVIO E OS RATOS TOMARAM CONTA. Ele descrevia as mulheres com um ódio misturado com desejo, aliás, às vezes parecia seu ódio do mundo é o que determinava seu amor por todas as mulheres. E todas as mulheres, segundo uma vez que ele escreveu, eram apenas uma - sua ex mulher. Não acredito mesmo!
Quem sabe se escrevessem sobre o presidente atual, ou o que será eleito, como um cara malvado contra os bons e contra os maus, um cara folgado, uma mistura do vampiro telepata, onisciente e extremamente impotente, mas orgulhoso como se fosse um deus, de Crepúsculo (eu prefiro Lua Nova, que o filme todo é sobre o adultério, na minha opinião), ou o machista playboy que machuca as mulheres e elas aprendem a gostar, em Cinquenta Tons de Cinza (nunca li os livros nem mesmo curti os filmes).
Bukowski faz sucesso até hoje. As pessoas gostam de insultos, um texto de ódio, misoginia, até um certo racismo, e um galanteador que está sempre com uma mulher diferente, mas não gosta de nada no mundo. E, estranhamente, está sempre satisfeito. Gosta do capitalismo, é liberal, odeia o comunismo, mas também odeia tudo e todos, e vive como se a vida fosse um livro de Jack Kerouac, e você fosse o personagem principal, reconhecendo toda a estupidez humana, e vivendo como se fosse ISSO MESMO e nada além disso. (Eu prefiro Allen Ginsberg e Neal Cassady, apesar de que acho que o livro de Neal Cassady tenha sido escrito por Jack Kerouac).
Enfim, estou falando de autores que eram amigos ou conhecidos, um movimento literário norte-americano, que surgiu na década de 50, pós-Segunda Guerra Mundial, pré-Revolução Sexual, uma década indefinida na história, e cheia de conflitos étnicos, nos Estados Unidos da América (país que se chama América, mas que TODO O MUNDO chama de Estados Unidos).
Quem sabe seja bom uma obra sobre um Maluco no poder, Meu Malvado Favorito na República de Bananas. E quem sabe gostem o mundo dos livros de auto-ajuda e os adoradores dos playboys hipsters, que descrevem sua ascenção como fruto de genialidade precoce, mas que, no Brasil, há sempre uma investigação por crimes de colarinho branco com os maiores empreendedores.
Quem sabe as mulheres gostem de um livro com o título O PRESIDENTE MALVADO QUE AS MULHERES GOSTAM. Seria forte, um título específico, para um universo heterosseuxal, onde a normatividade seja do macho alfa, contra o politicamente correto, algo tão Bukowski que chegaria ao patamar de South Park ou de algo xulo, grotesto, e, talvez, por ser tão grostesco, fosse algo de esquerda, como O Princípe, livro de Maquiavel, escrito por um teatrologo que sempre foi crítico da sociedade, e foi interpretado por anos como um manual de como ser um político malvado. Talvez seja isso que as pessoas procuram em Bukowski, Cinquenta Tons de Cinza, Crespúsculo e num presidente que se apraz de frases mordazes e planos terríveis: um manual para um mundo devasso.
Eu não poderia escrever sobre isso! Já tentei uma vez, mas eu lia capítulo por capítulo, e tudo parecia a mesma coisa, as mesmas palavras, o mesmo sentido, e a história para onde ia? Para onde as histórias vão? Por que um personagem tem que ser o herói (e o autor o vilão)?
Enfim: escrever sobre um presidente que seja o paradigma, o House of Cards, o top, o Cara, o Rei da Parada, o sex symbol (que é de uma sexualidade simbólica, que ele tenha algo que simbolize o sexo e sua beleza esteja associada ao que ele ele simboliza) como Tony Soprano, de Família Soprano. Tipo, você ser um mafioso grande, feio, rico, impulsivo, e as mulheres serem loucas por isso mesmo! Não, na verdade não é por isso. É pelo poder. O poder é sempre desejado. 
Mas Bukowski sempre escrevia sobre farrapos humanos.
(Nunca entendi porque alguns parágrafos começam com "mas", já que na norma gramatical os parágrafos não podem terminar sem a que a ideia tenha terminado de ser expressa),
Enfim: essa é minha ideia, MEU MALVADO FAVORITO na presidência da República, ferrando com todo o mundo, e deixando as mulheres cheias de desejo, porque o mundo é horrível e porque as pessoas leem Bukowski e gostam de Crepúsculo e Cinquenta Tons de Cinza.  
(Detalhe: tem que ser escrito por uma mulher. Porque seria BO para o universo literário. E tem que ser um livro bom. Mas também o livro pode ser bom se as pessoas lerem. E as pessoas só leem se for cheio de clichês, o que não explica porque o livro da Laura de Carvalho esteve na lista dos mais vendidos, na Amazon, o que é um grande feito. Não que eu esperasse menos. Aliás, a Marilena Chauí escreve também muito bom, sem falar nas autoras dos livros didáticos, que ninguém associa ao fato de serem mulheres, porque, talvez, por serem livros acadêmicos não sejam considerados LIVROS de fato - o que diz muito do universo dos ícones culturais).

Vitor Sales Anchieta 








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Marcia Lima


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– Espera Vovó, eu também vou com a senhora, deixe-me pegar minha bolsa que vamos e nem adianta dizer que não, eu vou junto e pronto.
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